A chamada Ponte do Império, ou Ponte do Passo Geral do Jacuí, foi construída em um ponto estratégico para o transporte do
charque, por atravessar o Rio Jacuí no ponto de encontro entre os afluentes dos rios Vacacaí e Vacacaí-Mirim. Então pertencente ao município de Cachoeira do Sul, a ponte conecta este município ao de Restinga Seca, fazendo parte do patrimônio da comunidade de Jacuí, localidade assim nomeada pela proximidade ao rio. A linha ferroviária que cortava o território fez com que Jacuí se tornasse um centro de desenvolvimento, contando com casas, oficinas e uma estação ferroviária.
Herança do período imperial brasileiro, sua construção foi autorizada pelo então Barão de Caxias em 1846, logo depois do
fim da Revolução Farroupilha. A obra foi concluída apenas em 1871, após 25 anos de construção. Em 1894, a então Ponte do Passo Geral do Jacuí foi queimada em função da Revolução Federalista para dificultar o avanço das tropas inimigas. Hoje os seus pilares, testemunhos de uma época, se tornaram patrimônio histórico-cultural do Rio Grande do Sul e de Restinga Seca, sendo conhecida como Ponte do Império.
TAMBÉM PALCO DA GUERRA GUARANÍTICA
Esta região onde foi construída a Ponte, segundo Aurélio Porto (1942), também se destaca por integrar o palco da Guerra Guaranítica, resultado do Tratado de Madrid (1750). Alí tropas portuguesas, sob o comando de Gomes Freire de Andrade, acamparam para avançar sobre os Sete Povos das Missões, sendo palco de escaramuças, com guaranis impondo dificuldades e, às vezes, impossibilitando a passagem das tropas portuguesas para o oeste do Rio Grande do Sul. Região central estratégica de domínio e ligação entre as demais regiões do estado, onde a ponte é um dos testemunhos do passado.
HERANÇA DO MAIOR DESERTO DA HISTÓRIA DA TERRA
Além de contar a história do povoamento do Rio Grande do Sul e de Restinga Seca, a Ponte do Império também é testemunho da história da Terra! Atualmente em ruínas, o único resquício da Ponte é o seu pilares construídos em pedra-grês, um material produzido a partir do arenito. Esse material é testemunho do Deserto Botucatu, um paleodeserto de 130 milhões de anos de idade que se estendeu por mais um milhão de km². Com o passar do tempo, erupções vulcânicas derramaram lava sobre as areias do deserto, formando o arenito que hoje mantém de pé a memória da Ponte do Império. Esse arenito também abriga um dos maiores reservatórios de água potável do mundo: o Aquífero Guarani!
Autores: Maria Medianeira Padoin e Victor de Lima Maffini.
Foto: Aline Brocardo Wollmann.