O Geoparque Quarta Colônia situa-se na borda do Planalto Sul brasileiro, onde a dinâmica da evolução da paisagem ao longo do tempo geológico é marcada por eventos climáticos extremos que transportam sedimentos dentro das bacias e reiniciam as sucessões ecológicas da Mata Atlântica. O último grande evento de chuva ocorreu em 1941, quando toda a encosta deslizou. Desde então, a comunidade construiu a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, que exige proteção contra as chuvas. Mesmo assim, com as chuvas de abril de 2024, que excederam em mais de quatro vezes a média histórica de precipitação para esta área, todo o processo foi reativado e a encosta deslizou novamente. Em toda a área do Geoparque, ocorreram mais de 1.000 deslizamentos de terra, gerando perdas materiais significativas em diversas comunidades. A maioria dos pontos de ruptura ocorre principalmente no contato entre arenitos e rochas sedimentares argilosas. O arenito, por ser mais poroso, satura-se de água e transfere umidade para o solo na forma de nascentes. À medida que o solo se satura, perde o atrito com a rocha e desliza, podendo gerar um deslizamento planar ou rotacional, ou um fluxo de lama, dependendo da geometria da encosta e do volume de água. Em tempos de mudanças climáticas aceleradas, o intervalo entre eventos extremos tenderá a ser cada vez mais curto e, por essa razão, devemos aprender a planejar o território e a nos proteger contra a dinâmica da natureza, para reduzir os riscos.
A Gruta Nossa Senhora de Lourdes está localizada em São João do Polêsine, no Distrito de Vale Vêneto.