O acolhimento da comunidade do Geoparque Quarta Colônia aos avaliadores da UNESCO permitiu que Helga Chulepin e Ángel Hernández pudessem desfrutar de momentos de descontração em meio à difícil responsabilidade de avaliar o território. No terceiro dia da Missão, os enviados da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura se mostraram integrados à cultura gaúcha.
No almoço oferecido em um Centro de Tradições Gaúchas (CTG) de Pinhal Grande, após a visita às escarpas alagadas da Usina de Itaúba, Helga e Ángel não somente experimentaram como aprovaram o famoso “costelão”. Eles foram apresentados às tradições rio-grandenses e Helga arriscou alguns passos na dança tradicionalista.
Mais tarde, na reunião de avaliação com a equipe do Geoparque Quarta Colônia, no CAPPA, Ángel se rendeu à curiosidade e entrou na roda do chimarrão que ajudava todos a enfrentarem a jornada de mais de quatro horas na análise da extensa planilha que compõe o Formulário A, um dos meios de avaliação adotados pela UNESCO para os geoparques. Helga, que é do Uruguai – país que compartilha muitas das tradições com o Rio Grande do Sul – explicou ao espanhol sobre a bebida, herança dos povos originários que habitavam as regiões das bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai.
Geoparque incentivou inovação no ensino durante a pandemia
Em Nova Palma, a Missão de Avaliação visitou o Centro Cultural e o Centro de Pesquisas Genealógicas, espaço com rico acervo documental sobre as famílias de imigrantes que fizeram da Quarta Colônia o seu lar.
A visita da UNESCO ao território coincidiu com um momento de comemoração para a professora Vanderléia Scapin Galle, da Escola Estadual de Educação Básica Tiradentes. Ela e seus alunos haviam acabado de receber o livro “Nova Palma: um salto no tempo!”, resultado de um compilado de publicações realizadas nas redes sociais Facebook e Instagram como parte de um projeto desenvolvido enquanto as aulas aconteciam remotamente por conta da pandemia de covid-19. “A história das comunidades está desaparecendo ou pela morte das pessoas ou pela migração do campo para a cidade, fato este que causa um grande esvaziamento do espaço rural e, como consequência, desaparecem também os costumes, os hábitos, enfim, a cultura de cada povo”, relata a professora na apresentação do livro. A ideia de transformar as postagens do “Cultura Pelo Jovem” em livro, segundo a professora Vanderléia, é poder materializar a produção e garantir que o resgate também não se perca.
Galle e os alunos Adriano Prado da Silva, Caroline Michelon Facoo e Gabriel Vestena entregaram o livro aos avaliadores e explicaram o objetivo da iniciativa. Motivados pela premissa de preservação da “memória da terra”, os estudantes demonstraram a apropriação do conceito de geoparque pela comunidade. Eles perceberam que a história local dos primeiros habitantes estava se perdendo. Decidiram, portanto, voltar o olhar às localidades de Nova Palma, resgatando as vivências dos antepassados e a autoestima dos habitantes do município. A partir da história oral, cada aluno focou nas suas habilidades e, juntos, realizaram uma série de postagens, com textos, fotos e vídeos narrando, sob a perspectiva dos jovens, os patrimônios histórico e cultural da região.
Texto: Cleusa Jung e Cristiano Magrini
Imagens: Cleusa Jung